As grandes aliás do fim da Guerra Fria trouxeram a Israel mais de um milhão de judeus da ex-União Soviética, a partir de 1989. Também chegaram dezenas de milhares de judeus da Etiópia, resgatados nas operações Moisés (1984–1985) e Salomão (1991). Essas ondas nasceram de décadas de luta contra a proibição soviética de emigrar e de pontes aéreas de resgate. Elas transformaram a sociedade israelense.
O que foram as grandes aliás da ex-URSS e da Etiópia?
Foram as maiores ondas de imigração judaica para Israel no fim da Guerra Fria. Uma veio da antiga União Soviética e a outra da Etiópia.
Aliá (plural: aliás) é a palavra hebraica para a imigração judaica a Israel. O termo significa "subida". Pela Lei do Retorno, todo judeu tem direito de se estabelecer em Israel e receber a cidadania. A lei também vale para filhos, netos e cônjuges de judeus.
As duas ondas tiveram perfis muito diferentes:
- Ex-URSS: uma migração de massa, com forte presença de profissionais qualificados. Ela se tornou possível depois que o regime soviético se abriu e se desfez.
- Etiópia: resgates organizados pelo Estado de Israel em meio a crises humanitárias e políticas, com forte dimensão de salvamento.
As duas mostram o que o sionismo sempre defendeu. Israel existe para ser o lar e o refúgio de judeus de qualquer lugar do mundo.
Quem eram os refuseniks e por que a URSS impedia os judeus de sair?
Refuseniks eram judeus soviéticos que pediam para emigrar e tinham a saída negada pelas autoridades. O pretexto frequente era o acesso a "segredos de Estado".
Quem pedia para sair pagava um preço alto. Enfrentava vigilância, discriminação no trabalho e pressão política. A proibição fazia parte do controle soviético de fronteiras. Também estava ligada ao antissemitismo institucional e à repressão de qualquer organização judaica independente.
Nas décadas de 1960 e 1970, os refuseniks começaram a se organizar:
- aulas clandestinas de hebraico;
- estudos judaicos;
- redes de solidariedade;
- campanhas pelo direito de sair.
No exterior, nasceu um movimento internacional pelos judeus soviéticos. Ele reuniu organizações e comunidades judaicas, governos ocidentais, parlamentares e ativistas de direitos humanos. A emigração dos judeus soviéticos virou uma causa internacional de direitos humanos, sobretudo nos Estados Unidos.
A abertura não teve uma causa única. Somaram-se a pressão externa, a mobilização interna, as reformas de Mikhail Gorbachev, a crise econômica e, por fim, a dissolução da União Soviética. Um dos refuseniks mais conhecidos, Natan Sharansky, fundou depois em Israel o partido Yisrael Ba'Aliyah.
Quantos judeus da ex-União Soviética imigraram para Israel?
Desde 1989, Israel recebeu mais de um milhão de imigrantes da ex-URSS. As estimativas variam conforme o critério de contagem.
Documentos oficiais israelenses registram cerca de 1,1 milhão de imigrantes da antiga União Soviética. Outras contagens chegam a cerca de 1,2 milhão ou mais. Segundo dados do governo de Israel, entre 1990 e 2009 cerca de 1,25 milhão de pessoas imigraram para o país, e cerca de 80% vieram da ex-URSS.
O auge foi no início da década de 1990, segundo o Centro de Pesquisa e Informação do Knesset:
| Ano | Imigrantes da ex-URSS (aprox.) |
|---|---|
| 1990 | 184 mil |
| 1991 | 147 mil |
Os números mudam porque as fontes contam coisas diferentes:
- só pessoas reconhecidas como judias;
- também familiares com direito à cidadania pela Lei do Retorno que não são judeus pela lei religiosa (Halachá);
- períodos diferentes;
- quem chegou direto das repúblicas soviéticas ou passou por países intermediários.
Por isso, "mais de um milhão" é a formulação mais segura para a onda iniciada em 1989.
O que foi a Operação Moisés?
A Operação Moisés (Mivtza Moshe) foi uma operação secreta que levou judeus etíopes de campos de refugiados no Sudão para Israel. Ela ocorreu entre novembro de 1984 e janeiro de 1985.
A operação aconteceu durante uma grave crise humanitária. Teve cooperação de Israel, dos Estados Unidos e do Sudão. Milhares de judeus etíopes foram levados de avião para Israel.
Antes do resgate, muitos tinham deixado suas aldeias e caminhado até o Sudão em condições extremas. No caminho e nos campos, houve mortes por fome, doenças, violência e exaustão.
A operação foi interrompida quando se tornou pública, depois de provocar reação política em países árabes e em outros setores. Ela não encerrou a imigração etíope. Parte da comunidade ficou na Etiópia, e muitas famílias ficaram separadas de parentes que já estavam em Israel.
O que foi a Operação Salomão?
A Operação Salomão (Mivtza Shlomo) foi a ponte aérea de emergência que Israel organizou em maio de 1991 a partir de Adis Abeba. Em cerca de 36 horas, ela levou 14.325 judeus etíopes para Israel, segundo material do Yad Vashem.
O contexto era de colapso. O regime de Mengistu Haile Mariam caía e forças rebeldes avançavam sobre a capital.
A operação exigiu negociações políticas e uma logística militar e civil complexa:
- 35 aeronaves israelenses, comerciais e militares;
- aviões com número de passageiros ampliado de modo extraordinário;
- um bebê nasceu durante o voo.
É considerada uma das maiores pontes aéreas de emergência da história.
O nome "Operação Salomão" se refere só à ponte aérea de 1991. A imigração etíope foi um processo mais longo. Somadas, as operações Moisés e Salomão trouxeram cerca de um terço de toda a imigração judaica da Etiópia. O restante chegou em ondas posteriores e em programas de reunificação familiar. Entre os que chegaram depois estão os Falash Mura, descendentes de judeus etíopes que haviam se convertido ao cristianismo, muitas vezes sob pressão social e econômica.
Como foi a integração dos imigrantes da ex-URSS em Israel?
Os imigrantes soviéticos trouxeram alta escolaridade e deram uma grande contribuição a Israel, mas muitos enfrentaram dificuldades no início.
Entre eles havia engenheiros, médicos, cientistas, matemáticos, professores, músicos e artistas. Documentos do governo israelense destacam o peso desse grupo na pesquisa, na cultura e na capacidade tecnológica do país.
O Estado criou políticas de absorção:
- cursos de hebraico (ulpanim);
- ajuda inicial para moradia e emprego;
- reconhecimento ou complementação de diplomas;
- escolas e serviços públicos;
- atuação do Ministério da Absorção.
A absorção não foi igual para todos. Muitos tiveram diplomas reconhecidos só em parte ou esbarraram na língua. Nos primeiros anos, parte deles trabalhou abaixo da própria qualificação.
A comunidade criou jornais, emissoras, teatros, associações e empresas em russo. Também ganhou peso político, com partidos como o Yisrael Ba'Aliyah e o Yisrael Beytenu, liderado por Avigdor Lieberman.
Houve ainda um debate religioso. Parte desses imigrantes tem direito à cidadania pela Lei do Retorno, mas não é considerada judia pela Halachá. Isso reacendeu discussões sobre conversão e sobre o controle do Rabinato sobre casamentos e divórcios.
Como foi a integração dos judeus etíopes em Israel?
Os judeus etíopes, o Beta Israel, ampliaram a diversidade de Israel e passaram a atuar nas Forças de Defesa de Israel (FDI), no serviço público, na educação, nas artes e na política. A integração, porém, foi marcada por desigualdades.
Relatórios e estudos acadêmicos apontam dificuldades como:
- pobreza e concentração residencial;
- falta de reconhecimento de qualificações e experiências anteriores;
- barreiras linguísticas;
- diferenças entre as instituições religiosas e as práticas da comunidade;
- discriminação racial;
- desigualdade na educação e no trabalho.
A questão também foi religiosa. Houve debates sobre reconhecimento, conversão e autoridade rabínica.
O governo israelense respondeu com políticas públicas. Criou o programa plurianual Derech Hadasha ("Nova Via"). Também adotou as recomendações do Relatório Palmor, que busca combater o racismo institucional e promover igualdade no serviço público, no ensino superior e nas FDI. Reconhecer esses problemas e enfrentá-los faz parte da história honesta dessa aliá.
Por que essas aliás são importantes para Israel?
Essas aliás mostram Israel cumprindo sua razão de ser: reunir judeus da Diáspora e oferecer refúgio aos que eram perseguidos ou estavam em perigo.
Os judeus soviéticos viveram décadas sob um regime que os discriminava e os impedia de sair. Os judeus etíopes atravessaram fome, guerra e campos de refugiados. Nos dois casos, o Estado judeu agiu para trazê-los para casa.
O resultado combina êxito e desafios:
| Grupo | Período principal | Escala | Marca principal |
|---|---|---|---|
| Judeus da ex-URSS | Desde 1989, sobretudo 1990–1991 | Mais de 1 milhão | Profissionais qualificados; impacto demográfico, econômico, cultural e político |
| Judeus da Etiópia | Moisés (1984–1985) e Salomão (1991) | Dezenas de milhares | Resgate em crise; integração marcada por desigualdades |
A experiência israelense une êxito demográfico e institucional a desigualdades que ainda persistem. Hoje Israel é um país de origens diversas, com judeus vindos da Europa, do Oriente Médio, da África e de outras regiões.
Linha do tempo
- Décadas de 1960 e 1970Refuseniks organizam aulas de hebraico, estudos judaicos e campanhas pelo direito de emigrar da URSS.
- 1984Em novembro, começa a Operação Moisés, que leva judeus etíopes dos campos no Sudão para Israel.
- 1985Em janeiro, a Operação Moisés é interrompida depois de se tornar pública.
- 1989Começa a grande onda de imigração da ex-União Soviética.
- 1990Cerca de 184 mil imigrantes chegam da URSS, segundo o Knesset.
- 1991Em maio, a Operação Salomão leva 14.325 judeus etíopes a Israel em cerca de 36 horas. No ano, chegam cerca de 147 mil imigrantes da URSS.
Perguntas frequentes
O que foi a Operação Moisés?
O que foi a Operação Salomão?
A URSS deixava os judeus emigrarem para Israel?
Quantos judeus soviéticos foram para Israel?
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Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
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Adultos- Knesset – Centro de Pesquisa e Informação: imigração da ex-URSS
- Knesset – Centro de Pesquisa e Informação (documento em russo)
- Escritório Central de Estatísticas de Israel – Imigração
- Escritório Central de Estatísticas de Israel – População de Israel
- Governo de Israel – Israeli Society: People
- Governo de Israel – Israeli Society: Diversity
- Governo de Israel – Aliá e contribuição à segurança nacional
- Governo de Israel – Israel Among the Nations
- Yad Vashem – material sobre a Operação Salomão

