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As grandes aliás: judeus da ex-União Soviética e da Etiópia

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Foto: Irrigação no kibutz Hamadia. autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons
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As grandes aliás do fim da Guerra Fria trouxeram a Israel mais de um milhão de judeus da ex-União Soviética, a partir de 1989. Também chegaram dezenas de milhares de judeus da Etiópia, resgatados nas operações Moisés (1984–1985) e Salomão (1991). Essas ondas nasceram de décadas de luta contra a proibição soviética de emigrar e de pontes aéreas de resgate. Elas transformaram a sociedade israelense.

O que foram as grandes aliás da ex-URSS e da Etiópia?

Foram as maiores ondas de imigração judaica para Israel no fim da Guerra Fria. Uma veio da antiga União Soviética e a outra da Etiópia.

Aliá (plural: aliás) é a palavra hebraica para a imigração judaica a Israel. O termo significa "subida". Pela Lei do Retorno, todo judeu tem direito de se estabelecer em Israel e receber a cidadania. A lei também vale para filhos, netos e cônjuges de judeus.

As duas ondas tiveram perfis muito diferentes:

  • Ex-URSS: uma migração de massa, com forte presença de profissionais qualificados. Ela se tornou possível depois que o regime soviético se abriu e se desfez.
  • Etiópia: resgates organizados pelo Estado de Israel em meio a crises humanitárias e políticas, com forte dimensão de salvamento.

As duas mostram o que o sionismo sempre defendeu. Israel existe para ser o lar e o refúgio de judeus de qualquer lugar do mundo.

Quem eram os refuseniks e por que a URSS impedia os judeus de sair?

Refuseniks eram judeus soviéticos que pediam para emigrar e tinham a saída negada pelas autoridades. O pretexto frequente era o acesso a "segredos de Estado".

Quem pedia para sair pagava um preço alto. Enfrentava vigilância, discriminação no trabalho e pressão política. A proibição fazia parte do controle soviético de fronteiras. Também estava ligada ao antissemitismo institucional e à repressão de qualquer organização judaica independente.

Nas décadas de 1960 e 1970, os refuseniks começaram a se organizar:

  • aulas clandestinas de hebraico;
  • estudos judaicos;
  • redes de solidariedade;
  • campanhas pelo direito de sair.

No exterior, nasceu um movimento internacional pelos judeus soviéticos. Ele reuniu organizações e comunidades judaicas, governos ocidentais, parlamentares e ativistas de direitos humanos. A emigração dos judeus soviéticos virou uma causa internacional de direitos humanos, sobretudo nos Estados Unidos.

A abertura não teve uma causa única. Somaram-se a pressão externa, a mobilização interna, as reformas de Mikhail Gorbachev, a crise econômica e, por fim, a dissolução da União Soviética. Um dos refuseniks mais conhecidos, Natan Sharansky, fundou depois em Israel o partido Yisrael Ba'Aliyah.

Quantos judeus da ex-União Soviética imigraram para Israel?

Desde 1989, Israel recebeu mais de um milhão de imigrantes da ex-URSS. As estimativas variam conforme o critério de contagem.

Documentos oficiais israelenses registram cerca de 1,1 milhão de imigrantes da antiga União Soviética. Outras contagens chegam a cerca de 1,2 milhão ou mais. Segundo dados do governo de Israel, entre 1990 e 2009 cerca de 1,25 milhão de pessoas imigraram para o país, e cerca de 80% vieram da ex-URSS.

O auge foi no início da década de 1990, segundo o Centro de Pesquisa e Informação do Knesset:

AnoImigrantes da ex-URSS (aprox.)
1990184 mil
1991147 mil

Os números mudam porque as fontes contam coisas diferentes:

  • só pessoas reconhecidas como judias;
  • também familiares com direito à cidadania pela Lei do Retorno que não são judeus pela lei religiosa (Halachá);
  • períodos diferentes;
  • quem chegou direto das repúblicas soviéticas ou passou por países intermediários.

Por isso, "mais de um milhão" é a formulação mais segura para a onda iniciada em 1989.

O que foi a Operação Moisés?

A Operação Moisés (Mivtza Moshe) foi uma operação secreta que levou judeus etíopes de campos de refugiados no Sudão para Israel. Ela ocorreu entre novembro de 1984 e janeiro de 1985.

A operação aconteceu durante uma grave crise humanitária. Teve cooperação de Israel, dos Estados Unidos e do Sudão. Milhares de judeus etíopes foram levados de avião para Israel.

Antes do resgate, muitos tinham deixado suas aldeias e caminhado até o Sudão em condições extremas. No caminho e nos campos, houve mortes por fome, doenças, violência e exaustão.

A operação foi interrompida quando se tornou pública, depois de provocar reação política em países árabes e em outros setores. Ela não encerrou a imigração etíope. Parte da comunidade ficou na Etiópia, e muitas famílias ficaram separadas de parentes que já estavam em Israel.

O que foi a Operação Salomão?

A Operação Salomão (Mivtza Shlomo) foi a ponte aérea de emergência que Israel organizou em maio de 1991 a partir de Adis Abeba. Em cerca de 36 horas, ela levou 14.325 judeus etíopes para Israel, segundo material do Yad Vashem.

O contexto era de colapso. O regime de Mengistu Haile Mariam caía e forças rebeldes avançavam sobre a capital.

A operação exigiu negociações políticas e uma logística militar e civil complexa:

  • 35 aeronaves israelenses, comerciais e militares;
  • aviões com número de passageiros ampliado de modo extraordinário;
  • um bebê nasceu durante o voo.

É considerada uma das maiores pontes aéreas de emergência da história.

O nome "Operação Salomão" se refere só à ponte aérea de 1991. A imigração etíope foi um processo mais longo. Somadas, as operações Moisés e Salomão trouxeram cerca de um terço de toda a imigração judaica da Etiópia. O restante chegou em ondas posteriores e em programas de reunificação familiar. Entre os que chegaram depois estão os Falash Mura, descendentes de judeus etíopes que haviam se convertido ao cristianismo, muitas vezes sob pressão social e econômica.

Como foi a integração dos imigrantes da ex-URSS em Israel?

Os imigrantes soviéticos trouxeram alta escolaridade e deram uma grande contribuição a Israel, mas muitos enfrentaram dificuldades no início.

Entre eles havia engenheiros, médicos, cientistas, matemáticos, professores, músicos e artistas. Documentos do governo israelense destacam o peso desse grupo na pesquisa, na cultura e na capacidade tecnológica do país.

O Estado criou políticas de absorção:

  • cursos de hebraico (ulpanim);
  • ajuda inicial para moradia e emprego;
  • reconhecimento ou complementação de diplomas;
  • escolas e serviços públicos;
  • atuação do Ministério da Absorção.

A absorção não foi igual para todos. Muitos tiveram diplomas reconhecidos só em parte ou esbarraram na língua. Nos primeiros anos, parte deles trabalhou abaixo da própria qualificação.

A comunidade criou jornais, emissoras, teatros, associações e empresas em russo. Também ganhou peso político, com partidos como o Yisrael Ba'Aliyah e o Yisrael Beytenu, liderado por Avigdor Lieberman.

Houve ainda um debate religioso. Parte desses imigrantes tem direito à cidadania pela Lei do Retorno, mas não é considerada judia pela Halachá. Isso reacendeu discussões sobre conversão e sobre o controle do Rabinato sobre casamentos e divórcios.

Como foi a integração dos judeus etíopes em Israel?

Os judeus etíopes, o Beta Israel, ampliaram a diversidade de Israel e passaram a atuar nas Forças de Defesa de Israel (FDI), no serviço público, na educação, nas artes e na política. A integração, porém, foi marcada por desigualdades.

Relatórios e estudos acadêmicos apontam dificuldades como:

  • pobreza e concentração residencial;
  • falta de reconhecimento de qualificações e experiências anteriores;
  • barreiras linguísticas;
  • diferenças entre as instituições religiosas e as práticas da comunidade;
  • discriminação racial;
  • desigualdade na educação e no trabalho.

A questão também foi religiosa. Houve debates sobre reconhecimento, conversão e autoridade rabínica.

O governo israelense respondeu com políticas públicas. Criou o programa plurianual Derech Hadasha ("Nova Via"). Também adotou as recomendações do Relatório Palmor, que busca combater o racismo institucional e promover igualdade no serviço público, no ensino superior e nas FDI. Reconhecer esses problemas e enfrentá-los faz parte da história honesta dessa aliá.

Por que essas aliás são importantes para Israel?

Essas aliás mostram Israel cumprindo sua razão de ser: reunir judeus da Diáspora e oferecer refúgio aos que eram perseguidos ou estavam em perigo.

Os judeus soviéticos viveram décadas sob um regime que os discriminava e os impedia de sair. Os judeus etíopes atravessaram fome, guerra e campos de refugiados. Nos dois casos, o Estado judeu agiu para trazê-los para casa.

O resultado combina êxito e desafios:

GrupoPeríodo principalEscalaMarca principal
Judeus da ex-URSSDesde 1989, sobretudo 1990–1991Mais de 1 milhãoProfissionais qualificados; impacto demográfico, econômico, cultural e político
Judeus da EtiópiaMoisés (1984–1985) e Salomão (1991)Dezenas de milharesResgate em crise; integração marcada por desigualdades

A experiência israelense une êxito demográfico e institucional a desigualdades que ainda persistem. Hoje Israel é um país de origens diversas, com judeus vindos da Europa, do Oriente Médio, da África e de outras regiões.

Linha do tempo

  1. Décadas de 1960 e 1970Refuseniks organizam aulas de hebraico, estudos judaicos e campanhas pelo direito de emigrar da URSS.
  2. 1984Em novembro, começa a Operação Moisés, que leva judeus etíopes dos campos no Sudão para Israel.
  3. 1985Em janeiro, a Operação Moisés é interrompida depois de se tornar pública.
  4. 1989Começa a grande onda de imigração da ex-União Soviética.
  5. 1990Cerca de 184 mil imigrantes chegam da URSS, segundo o Knesset.
  6. 1991Em maio, a Operação Salomão leva 14.325 judeus etíopes a Israel em cerca de 36 horas. No ano, chegam cerca de 147 mil imigrantes da URSS.

Perguntas frequentes

O que foi a Operação Moisés?
Foi uma operação secreta, entre novembro de 1984 e janeiro de 1985, que levou milhares de judeus etíopes de campos de refugiados no Sudão para Israel. Teve cooperação de Israel, dos Estados Unidos e do Sudão. Muitos tinham caminhado até o Sudão em condições extremas. A operação foi interrompida quando se tornou pública.
O que foi a Operação Salomão?
Foi a ponte aérea de emergência que Israel fez em maio de 1991 a partir de Adis Abeba, enquanto o regime de Mengistu Haile Mariam caía. Em cerca de 36 horas, 35 aeronaves israelenses levaram 14.325 judeus etíopes para Israel, segundo o Yad Vashem. Um bebê nasceu durante o voo.
A URSS deixava os judeus emigrarem para Israel?
Durante décadas, não. Muitos judeus soviéticos tiveram a saída negada e ficaram conhecidos como refuseniks. Sofriam vigilância, discriminação no trabalho e pressão política. A abertura veio no fim da década de 1980, com a pressão internacional, as reformas de Gorbachev, a crise econômica e o fim da União Soviética.
Quantos judeus soviéticos foram para Israel?
Mais de um milhão desde 1989. Documentos oficiais israelenses falam em cerca de 1,1 milhão, e outras contagens chegam a cerca de 1,2 milhão ou mais. A diferença depende do período e do critério usado, por exemplo se a conta inclui familiares com direito à cidadania pela Lei do Retorno que não são judeus pela lei religiosa.

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