Em 23 de junho de 2016, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, disse no plenário do Parlamento Europeu que rabinos em Israel haviam pedido ao governo que envenenasse a água para matar palestinos. A história vinha de uma notícia que circulou em veículos palestinos e árabes. Ela citava um rabino que nenhuma verificação jornalística encontrou. O gabinete de Abbas retirou a afirmação e a chamou de infundada. A acusação repete o libelo medieval que culpou judeus de envenenar poços na Peste Negra.
- Quando
- 23 de junho de 2016.
- Onde
- Plenário do Parlamento Europeu, em sessão com os eurodeputados.
- O que se disse
- Que "vários rabinos em Israel" exigiram do governo israelense envenenar a água para matar palestinos.
- Quem espalhou
- Veículos palestinos e árabes publicaram a história. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, a repetiu na tribuna do Parlamento Europeu.
- O que se provou
- Segundo o New York Times e a Reuters, ninguém localizou o suposto rabino "Shlomo Mlmad", o conselho citado nem a declaração.
- Quem corrigiu
- O próprio gabinete de Abbas, em nota distribuída pela OLP a jornalistas.
- A correção chegou até onde?
- A nota chamou a alegação de infundada. Ela foi distribuída à imprensa, e não proferida no plenário onde a acusação foi feita.
Em que ocasião Abbas fez a acusação?
Abbas falou numa sessão oficial do Parlamento Europeu, em 23 de junho de 2016. A própria Sala de Imprensa do Parlamento confirma o discurso do presidente da Autoridade Palestina perante os eurodeputados naquela data.
O cenário importa. Uma sessão do Parlamento Europeu é uma das tribunas políticas de maior prestígio do mundo. O que se diz ali chega a governos, diplomatas e redações de dezenas de países. É um palco feito para ser citado.
O comunicado oficial do Parlamento resume o discurso em tom político, com o apelo por "liberdade, sem muros e postos de controle". Ele não reproduz a frase sobre os rabinos. Isso não significa que ela não tenha sido dita. O comunicado é um resumo, não uma ata taquigráfica. A frase está na gravação do discurso e nas reportagens da época, como a do The New York Times e a do Brussels Times.

““It is time for our people to live in freedom, without walls and checkpoints”, urged President of the Palestinian National Authority Mahmoud Abbas in his address to MEPs on Thursday.”
“Chegou a hora de nosso povo viver em liberdade, sem muros e postos de controle”, exortou o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, em seu discurso aos eurodeputados na quinta-feira.”
Confirma, pela fonte oficial do Parlamento Europeu, que Abbas discursou ao plenário em 23 de junho de 2016.
O que exatamente Abbas disse, e como o plenário reagiu?
Abbas afirmou, em árabe, que rabinos israelenses tinham pedido ao governo que envenenasse a água dos palestinos. Na tradução para o inglês registrada pela imprensa, a frase diz: "Only a week ago, a number of rabbis in Israel made a clear announcement, demanding that their government poison the water to kill the Palestinians." Em português: "Há apenas uma semana, vários rabinos em Israel fizeram um anúncio claro, exigindo que seu governo envenenasse a água para matar os palestinos."
O autor da frase tem nome e cargo: Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. Ele não falou como comentarista anônimo de rede social. Falou como presidente da Autoridade Palestina, numa tribuna internacional.
A sessão teve aplausos, e a cobertura da época os registrou. Um ponto pede precisão. Não existe ata oficial que permita dizer que os aplausos se dirigiram apenas à frase sobre os rabinos. Dizer que o Parlamento Europeu, como instituição, endossou a acusação vai além do que está documentado. O fato grave é outro, e está provado: uma acusação falsa de envenenamento contra judeus foi feita no plenário.
A reação israelense foi imediata. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou a fala e a comparou ao "libelo de sangue", o nome histórico das acusações falsas de que judeus matavam não judeus por motivo religioso. O episódio foi noticiado pelo The New York Times. O governo de Israel tratou o discurso como incitação antissemita.

““It is time for our people to live in freedom, without walls and checkpoints”, urged President of the Palestinian National Authority Mahmoud Abbas in his address to MEPs on Thursday.”
“Chegou a hora de nosso povo viver em liberdade, sem muros e postos de controle”, exortou o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, em seu discurso aos eurodeputados na quinta-feira.”
A versão em PDF do comunicado fixa a data e o caráter solene da sessão em que a acusação foi feita.
Áudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.
Trechos do discurso de Abbas no Parlamento Europeu em 23 de junho de 2016, com a acusação falsa sobre o envenenamento da água.
De onde veio a história dos rabinos, e como ela chegou ao Parlamento?
A história nasceu numa notícia publicada em veículos palestinos e árabes nos dias anteriores ao discurso. Outros veículos a reproduziram. Abbas disse que o "anúncio" tinha acontecido "há apenas uma semana".
A notícia atribuía o pedido de envenenamento a um suposto rabino chamado "Shlomo Mlmad" (também grafado "Shlomo Mlma"). Ele seria ligado a um suposto conselho de rabinos das comunidades israelenses em Judeia e Samaria. Esse conselho teria autorizado ou pedido o envenenamento de fontes de água usadas por palestinos.
O caminho da mentira seguiu um padrão conhecido:
- Primeiro passo: uma notícia sem fonte verificável circula em veículos regionais.
- Segundo passo: outros veículos a republicam sem checar. A repetição dá à história aparência de fato.
- Terceiro passo: um líder político a leva a uma tribuna internacional. A partir daí, a acusação ganha a autoridade de quem a pronuncia.
A versão também passou pelos canais oficiais da Autoridade Palestina. A Palestinian Media Watch divulgou um registro da TV oficial da AP em que Abbas repete a acusação. Sobre o papel desses canais, veja o que ensinam as escolas e a TV oficial da Autoridade Palestina e como a mentira se espalha.
Áudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.
Registro da TV oficial da Autoridade Palestina, divulgado pela Palestinian Media Watch, em que Abbas repete a acusação falsa de que rabinos pediram para envenenar a água dos palestinos.
O que as verificações mostraram sobre o rabino e o suposto pedido?
As verificações jornalísticas da época não encontraram nada que sustentasse a história. Não encontraram:
- um rabino chamado "Shlomo Mlmad" ou "Shlomo Mlma";
- um conselho de rabinos com a função descrita;
- qualquer declaração pública pedindo o envenenamento da água dos palestinos.
Segundo a cobertura da época, a Reuters tentou localizar o rabino e a organização e não conseguiu. O The New York Times registrou que a acusação foi feita sem verificação e que o suposto pronunciamento rabínico nunca foi autenticado.
A expressão certa é nunca comprovado. Nenhuma fonte apresentou o rabino, o texto do pedido ou o conselho. A acusação de envenenamento deliberado da água por Israel não tem prova de ordem, programa ou ato. A checagem do site trata disso em detalhe: Israel envenena a água dos palestinos? FALSO.
Quem corrigiu a acusação, e como?
Quem corrigiu foi o próprio gabinete de Abbas. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), presidida por Abbas, distribuiu uma nota a jornalistas. A nota reconheceu que as supostas declarações do rabino eram infundadas.
Segundo a reprodução da i24NEWS, a nota afirmou que, "tendo ficado claro" que as supostas declarações eram infundadas, Abbas "não tinha intenção de prejudicar o judaísmo nem de ofender os judeus". O texto também rejeitou acusações de desrespeito à religião judaica e condenou o antissemitismo.
A data aparece de duas formas. O The New York Times noticiou o recuo com data de 24 de junho, o dia seguinte ao discurso. Outras reportagens, como a da i24NEWS, datam a nota de 25 de junho. A diferença é compatível com o fuso horário entre Nova York e o Oriente Médio. Em qualquer das datas, o recuo veio no máximo dois dias depois do discurso.
A forma também foi diferente. A frase foi dita no plenário do Parlamento Europeu, diante dos eurodeputados. A correção foi distribuída à imprensa em nota, e não feita na mesma tribuna.
O que ainda está em disputa no caso?
Os fatos centrais estão documentados: o discurso, a frase, a falta de qualquer rabino ou declaração verificável e o recuo do gabinete de Abbas. Restam três pontos abertos, que esta página apresenta com honestidade.
- Quem inventou a história. As fontes mostram uma cadeia de republicações em veículos palestinos e árabes. Elas não identificam de forma conclusiva o primeiro autor. Também não há prova de que Abbas tenha criado o nome "Shlomo Mlmad". O que está provado é que ele repetiu uma notícia falsa numa tribuna internacional.
- De onde veio o nome. A imprensa levantou a hipótese de confusão com Zalman Melamed, rabino real associado à comunidade de Beit El. "Melamed" poderia ter sido deformado em "Mlmad". Nenhuma investigação confirmou essa explicação. Ela segue como hipótese.
- A intenção. Israel e críticos de Abbas viram na fala uma reedição do libelo antissemita. Quem lê o caso de forma mais favorável a Abbas fala em repetição negligente de uma notícia falsa. A nota de recuo negou intenção de ofender judeus. Ela não explica por que o presidente da Autoridade Palestina levou ao Parlamento Europeu, sem checar, uma acusação de envenenamento contra rabinos.
O peso das evidências tem uma direção clara. Quaisquer que fossem as intenções, a acusação atinge um grupo religioso: rabinos, apresentados como autores de uma proposta de matar envenenando a água. O conteúdo corresponde a um libelo com séculos de história. A intenção pessoal de Abbas fica sem prova. O conteúdo da frase está registrado.
Por que o caso importa hoje, e que técnica ele ilustra?
O caso importa porque mostra um libelo medieval reaparecendo na voz do presidente da Autoridade Palestina, numa das tribunas mais respeitadas do mundo. A técnica tem nome nesta seção: libelos antigos com roupa nova.
O libelo original. Durante a Peste Negra, entre 1348 e 1350, judeus de várias regiões da Europa foram acusados de espalhar a doença envenenando poços e fontes. O United States Holocaust Memorial Museum lembrou essa história ao reagir à fala de Abbas. As acusações produziram prisões, "confissões" arrancadas sob tortura, execuções, expulsões e a destruição de centenas de comunidades judaicas.
Uma autoridade da época já negou a acusação. A Jewish Encyclopedia registra que o papa Clemente VI emitiu em julho de 1348 uma bula declarando a acusação falsa. Estudos posteriores citam também a bula Quamvis perfidiam, de setembro de 1348. As fontes divergem sobre a data exata, mas o argumento papal é o mesmo: os judeus morriam da peste como os cristãos. A historiografia moderna, como o livro de Tzafrir Barzilay, trata o episódio como perseguição construída sobre rumores. Pesquisas da Universidade de Haifa contestam relatos de casos anteriores ao século XIV, baseados em fontes tardias e pouco confiáveis.
A mesma estrutura, em 2016:
- um grupo judaico (antes, "os judeus"; em 2016, "rabinos");
- uma suposta proposta de matar por envenenamento;
- a água como arma;
- nenhuma prova, só um rumor repetido até parecer fato.
O padrão não ficou isolado. Outras acusações de envenenamento e contágio já foram dirigidas a Israel por autoridades e órgãos ligados à liderança palestina:
- Em 1997, um representante palestino apresentou à Comissão de Direitos Humanos da ONU a acusação de que Israel injetava HIV em crianças palestinas. O próprio documento dizia se basear em reportagens de imprensa. Israel rejeitou a acusação.
- Em 2001, a agência oficial da Autoridade Palestina, Wafa, publicou que Israel lançava doces envenenados de aviões para crianças em Gaza.
- Sobre a morte de Yasser Arafat, especialistas independentes que examinaram os prontuários concluíram que envenenamento e AIDS eram altamente improváveis, segundo a NBC News. Israel negou envolvimento, segundo o Los Angeles Times. A Radio Free Europe registrou que alguns pontos dos prontuários seguiram inconclusivos. Nada disso prova assassinato por Israel.
O que o caso ensina. Uma acusação vinda de um líder político, numa tribuna de prestígio, ganha força antes de qualquer checagem. A correção chega depois. É o mesmo mecanismo descrito em o primeiro título. Abbas voltaria a provocar reação internacional com outro discurso, em 2023: veja Abbas, Hitler e o Holocausto. Outro mito envolvendo Israel e recursos hídricos é o de que Israel quer controlar e privatizar a água do Brasil, igualmente falso.

“In the Middle Ages, Jews were falsely accused of spreading the plague by deliberately poisoning wells, lies that led to massacres of Jewish communities throughout Europe.”
“Na Idade Média, judeus foram falsamente acusados de espalhar a peste envenenando deliberadamente poços, mentiras que levaram a massacres de comunidades judaicas em toda a Europa.”
Uma das principais instituições de memória do Holocausto liga diretamente a fala de Abbas ao libelo medieval.
“the actual myth of well-poisoning in connection with the Black Death seems to have arisen in Switzerland in the autumn of that year, though Clement VI. had issued in July a bull declaring its falsity”
“o mito propriamente dito do envenenamento de poços em conexão com a Peste Negra parece ter surgido na Suíça no outono daquele ano, embora Clemente VI tivesse emitido em julho uma bula declarando sua falsidade”
Mostra que a falsidade da acusação já havia sido declarada por uma autoridade da própria época.
“The first account that follows is a translation from the Latin of a confession made under torture by Agimet, a Jew, who was arrested at Chatel, on Lake Geneva. It is typical of the confessions extorted and forwarded to other towns.”
“O primeiro relato a seguir é uma tradução do latim de uma confissão feita sob tortura por Agimet, um judeu, que foi preso em Chatel, no Lago de Genebra. Ela é típica das confissões extorquidas e enviadas a outras cidades.”
Documenta, com fontes primárias, que as "provas" medievais eram confissões arrancadas sob tortura e enviadas de cidade em cidade.
“the legal and bureaucratic mechanisms that moved rumors into officially accepted and prosecutable crimes, Barzilay has written a crucial chapter in the long history of the persecution of European minorities.”
“os mecanismos jurídicos e burocráticos que transformaram rumores em crimes oficialmente aceitos e passíveis de processo, Barzilay escreveu um capítulo crucial na longa história da perseguição às minorias europeias.”
A historiografia acadêmica descreve como um rumor virou crime processável na Idade Média. Há uma analogia limitada com 2016, na legitimação de um rumor por uma autoridade, mas não equivalência: em 2016 houve a repetição política de uma notícia falsa, não um processo judicial.
O que disseram, nos registros
“Only a week ago, a number of rabbis in Israel made a clear announcement, demanding that their government poison the water to kill the Palestinians.”
“Há apenas uma semana, vários rabinos em Israel fizeram um anúncio claro, exigindo que seu governo envenenasse a água para matar os palestinos.”
Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina. 23 de junho de 2016, Plenário do Parlamento Europeu (tradução para o inglês da fala em árabe). Fonte
“It having become clear that the alleged statements by a rabbi about the poisoning of Palestinian wells are, in fact, baseless, President Mahmoud Abbas said that he had no intention of harming Judaism or offending Jews.”
“Tendo ficado claro que as supostas declarações de um rabino sobre o envenenamento de poços da população palestina não têm, de fato, fundamento, o presidente Mahmoud Abbas disse que não tinha intenção de prejudicar o judaísmo nem de ofender os judeus.”
Gabinete de Mahmoud Abbas (nota distribuída pela OLP), Presidência da Autoridade Palestina. 24 a 25 de junho de 2016, Nota distribuída a jornalistas, reproduzida pela imprensa internacional. Fonte
Alegações que circulam sem prova
- “Rabinos israelenses pediram ao governo que envenenasse a água para matar palestinos.” (Notícia em veículos palestinos e árabes sobre um suposto rabino "Shlomo Mlmad", repetida por Mahmoud Abbas no Parlamento Europeu): Segundo o New York Times e a Reuters, ninguém localizou o rabino, o conselho citado nem a declaração. O próprio gabinete de Abbas chamou a alegação de infundada.
- “Israel envenenou Yasser Arafat.” (Líderes palestinos, segundo o Los Angeles Times (2005)): Especialistas independentes que revisaram os prontuários consideraram o envenenamento altamente improvável. Israel negou envolvimento, e nenhuma prova foi apresentada.
- “Israel injetou o vírus HIV em crianças palestinas.” (Representante palestino na Comissão de Direitos Humanos da ONU (1997)): O próprio documento dizia se basear em reportagens de imprensa. Nas fontes reunidas, não há confirmação da acusação por investigação independente, tribunal ou órgão de saúde.
Linha do tempo
- Julho de 1348Segundo a Jewish Encyclopedia, o papa Clemente VI emite uma bula declarando falsa a acusação de que judeus causavam a peste.
- Setembro de 1348Estudos citam a bula Quamvis perfidiam, de Clemente VI, em defesa dos judeus acusados de envenenar poços.
- Outono de 1348O mito do envenenamento de poços ligado à Peste Negra ganha força na Suíça, segundo a Jewish Encyclopedia.
- 1348 a 1350"Confissões" sob tortura, execuções e massacres destroem centenas de comunidades judaicas na Europa.
- 1997Um representante palestino acusa Israel, na ONU, de infectar crianças palestinas com HIV, com base em reportagens de imprensa. Israel rejeita a acusação.
- Junho de 2016, dias antes do discursoVeículos palestinos e árabes publicam a história do suposto rabino "Shlomo Mlmad".
- 23 de junho de 2016Abbas repete a acusação no plenário do Parlamento Europeu. A sessão tem aplausos.
- 24 de junho de 2016Netanyahu condena a fala e a compara ao libelo de sangue. O New York Times noticia a acusação sem verificação e o recuo do gabinete de Abbas.
- 25 de junho de 2016A nota da OLP, com data de 25 de junho em parte da imprensa, declara infundadas as supostas declarações do rabino.
- Junho de 2016O United States Holocaust Memorial Museum liga a fala de Abbas ao libelo medieval do envenenamento de poços.
Perguntas frequentes
O que Abbas disse no Parlamento Europeu em 2016?
Existe o rabino Shlomo Mlmad?
Abbas pediu desculpas pela acusação sobre a água?
O Parlamento Europeu aplaudiu a fala de Abbas?
Qual a relação entre a fala de Abbas e o libelo do envenenamento de poços?
- Palestinian President puts his state's case to MEPs
- Press release 20160622IPR33211 (PDF)
- The New York Times: Abbas, rabinos e a acusação sobre a água (24/06/2016)
- i24NEWS: Abbas recants claim that Israeli rabbi called for poisoning Palestinian water
- Brussels Times: Mahmoud Abbas in the European Parliament
- Museum Outraged at President Abbas's Remarks
- Jewish Encyclopedia: Well-Poisoning
- The Black Death and the Jews 1348-1349 CE
- Poisoned Wells: Accusations, Persecution, and Minorities in Medieval Europe (Tzafrir Barzilay)
- Early accusations of well poisoning against Jews (Universidade de Haifa)
- NBC News: revisão dos prontuários de Arafat
- Los Angeles Times: investigação sobre a morte de Arafat (2005)
- Radio Free Europe/Radio Liberty: a morte de Arafat (2008)
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