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Embaixador Oswaldo Aranha, do Brasil
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Perfis: Oswaldo Aranha

Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre Perfis: Oswaldo Aranha, para estudantes e público geral.

Para: estudantes e público geralPodcast: 5 min
Foto: Embaixador Oswaldo Aranha, do Brasil. Los Angeles Times · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 5 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (5 min, 2,4 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, você está ouvindo o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje tem episódio da série Perfis.

Lia: Isso. E o perfil de hoje é de um brasileiro que tem praça em Jerusalém: Oswaldo Aranha.

Davi: Muita gente já ouviu esse nome, mas nem sempre sabe exatamente o que ele fez.

Lia: Por isso o tema importa. Aranha liga a história do Brasil a um dos momentos decisivos para o povo judeu: o respaldo internacional ao Estado judeu.

Davi: Então vamos começar pelo básico. Quem foi ele?

Lia: Oswaldo Aranha viveu de 1894 a 1960. Foi jurista, diplomata e estadista.

Davi: E antes da ONU ele já tinha uma carreira importante aqui, né?

Lia: Sim. Ele tinha sido ministro das Relações Exteriores durante o Estado Novo. E, em fevereiro de 1947, o presidente Eurico Gaspar Dutra o nomeou chefe da delegação brasileira na ONU, em Nova York.

Davi: E foi aí que a história ganhou outra dimensão.

Lia: Exatamente. Naquele mesmo ano, ele ocupou dois cargos de destaque.

Davi: Quais?

Lia: Primeiro, em abril, foi eleito presidente da Primeira Sessão Especial da Assembleia Geral.

Davi: Por que essa sessão foi convocada?

Lia: Porque a Grã-Bretanha anunciou que abriria mão do Mandato Britânico. Sob a condução de Aranha, essa sessão criou o UNSCOP, um comitê especial para investigar a situação e propor uma solução.

Davi: E o segundo cargo?

Lia: Em setembro, ele foi eleito presidente da Segunda Sessão Ordinária. Foi essa sessão que discutiu o relatório do comitê e a partilha do território.

Davi: Vamos então ao grande dia. O que aconteceu em 29 de novembro de 1947?

Lia: Às quatro da tarde, Aranha abriu a votação formal da Resolução 181. Ela recomendava dividir o território em um Estado judeu e um Estado árabe.

Davi: E Jerusalém?

Lia: Teria um regime internacional especial, chamado Corpus Separatum.

Davi: E qual foi o resultado?

Lia: Trinta e três votos a favor e treze contra.

Davi: E as abstenções?

Lia: Foram dez, incluindo o Reino Unido e a Argentina. O Brasil votou a favor, assim como os Estados Unidos e a União Soviética.

Davi: Agora, Lia, tem uma história famosa: a de que Aranha adiou a votação para garantir a aprovação. Isso é verdade?

Lia: Em parte. Os defensores da partilha ainda não tinham a maioria de dois terços, e os países árabes pressionavam para votar logo e rejeitar o plano.

Davi: E o que ele fez?

Lia: No fim da tarde de 26 de novembro, ele usou suas atribuições de presidente e encerrou os trabalhos do dia, antes do feriado de Ação de Graças e do fim de semana. Esse intervalo permitiu conversas com delegações indecisas.

Davi: Mas foram três dias, como se costuma dizer?

Lia: Os relatos variam. O registro da ONU cita uma proposta francesa de suspender por vinte e quatro horas. Outros falam em até quarenta e oito horas, e biografias falam em três dias.

Davi: Então o mais justo é dizer que ele usou o regimento no momento certo.

Lia: Isso. Dizer que ele, sozinho, garantiu a maioria é uma simplificação.

Davi: E tem um detalhe interessante sobre a posição do Brasil.

Lia: Tem sim. Um telegrama do Itamaraty orientava a delegação a acompanhar o voto dos Estados Unidos. Em carta ao chanceler, Aranha defendeu a autonomia do país e escreveu: "a nossa solidariedade não pode ser nunca uma servidão".

Davi: Bonita frase. Então ele foi o fundador de Israel?

Lia: Essa expressão é uma homenagem, não uma descrição exata. A resolução era uma recomendação, aprovada pela maioria dos Estados-membros. Israel proclamou sua independência em 14 de maio de 1948.

Davi: E como ele é lembrado hoje?

Lia: Com gratidão, pela comunidade judaica brasileira e pela memória pública israelense. Em Jerusalém, há a Praça Oswaldo Aranha.

Davi: E em outras cidades?

Lia: Há ruas com o nome dele em Tel Aviv, Beer Sheva e Ramat Gan. E o museu do Kibutz Bror Chail guarda o martelo que ele usou na sessão e o cartão de contagem de votos que assinou.

Davi: E no Brasil?

Lia: Uma lei federal de 2020 inscreveu Oswaldo Aranha no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

Davi: E por que tudo isso importa hoje?

Lia: Porque aquela votação deu respaldo internacional ao direito do povo judeu à autodeterminação, que é o coração do sionismo. E, pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Davi: Então, para fechar, qual é a ideia-chave de hoje?

Lia: Oswaldo Aranha não criou Israel sozinho, mas conduziu com firmeza a sessão que deu ao Estado judeu sua base diplomática internacional. Por isso, ele é um elo de gratidão entre Brasil e Israel.

Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.

Lia: Mais materiais em jjo.org.br.

Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, você deverá ser capaz de:

  1. Explicar quem foi Oswaldo Aranha e quais cargos ocupou na ONU em 1947.
  2. Descrever o papel dele na aprovação da Resolução 181, em 29 de novembro de 1947.
  3. Diferenciar a Resolução 181, que era uma recomendação, da proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948.
  4. Analisar com precisão a questão do adiamento da votação e o que se sabe sobre ele.
  5. Conhecer as homenagens a Aranha em Israel e no Brasil.
  6. Compreender o sionismo e a definição de antissemitismo da IHRA.

Quem foi Oswaldo Aranha

Oswaldo Aranha (1894–1960) foi jurista, diplomata e estadista brasileiro. Durante o Estado Novo, foi ministro das Relações Exteriores do Brasil. Em fevereiro de 1947, o presidente Eurico Gaspar Dutra o nomeou chefe da delegação brasileira junto às Nações Unidas, em Nova York.

Em 1947, Aranha ocupou dois cargos de destaque na ONU:

  • 28 de abril de 1947: foi eleito presidente da Primeira Sessão Especial da Assembleia Geral, com 45 votos dos 55 delegados presentes. A sessão foi convocada depois que a Grã-Bretanha anunciou que abriria mão do Mandato Britânico.
  • 16 de setembro de 1947: foi eleito presidente da Segunda Sessão Ordinária da Assembleia Geral, com 29 votos na rodada decisiva. Coube a ele conduzir os debates sobre a partilha do território.

Conceitos-chave

1. O UNSCOP e o Plano da Maioria

Sob a condução de Aranha, a sessão especial de abril de 1947 criou o UNSCOP, o comitê especial da ONU encarregado de investigar a situação e propor uma solução. O relatório do comitê apresentou o "Plano da Maioria": dois Estados independentes, um judeu e um árabe, e um regime internacional especial para Jerusalém, o Corpus Separatum.

2. A Resolução 181 (II)

Em 29 de novembro de 1947, às 16h, Aranha abriu a votação formal. Ao fim da chamada nominal, proclamou a aprovação da resolução na 128ª reunião plenária, segundo o registro oficial da ONU.

Resultado Votos Quem
A favor 33 Incluindo Brasil, outros 12 países latino-americanos, EUA e URSS
Contra 13 Majoritariamente países árabes e muçulmanos
Abstenções 10 Incluindo Reino Unido e Argentina
Ausência 1 —

A Resolução 181 é a base diplomática internacional para a independência de Israel e deu respaldo internacional ao Estado judeu.

3. Recomendação não é criação jurídica

A resolução não criou juridicamente o Estado de Israel. Ela era uma recomendação. Israel proclamou sua independência em 14 de maio de 1948. A votação também enfrentou tentativas de adiar a decisão ou de enviar a questão à Corte Internacional de Justiça.

4. O adiamento de 26 de novembro

No fim de novembro de 1947, os defensores da partilha ainda não tinham a maioria de dois terços exigida, e os países árabes pressionavam para votar logo e rejeitar o plano. No fim da tarde de 26 de novembro de 1947, Aranha usou suas atribuições de presidente para encerrar os trabalhos do dia, antes do feriado de Ação de Graças e do fim de semana. Esse intervalo permitiu articulações com delegações indecisas.

A duração e o peso desse intervalo são descritos de modos diferentes: - Registro oficial da ONU (UNISPAL): o representante da França sugeriu suspender a votação por 24 horas para permitir negociações. - Outros relatos históricos: intervalo de 24 a 48 horas, considerado decisivo. - Versão comemorativa: biografias e reportagens, como a da BBC News Brasil, falam em três dias.

O mais preciso é dizer que Aranha presidiu uma sessão marcada por manobras e tentativas de adiamento e que usou o regimento no momento certo. A ideia de que ele garantiu sozinho a maioria é uma simplificação.

5. A autonomia brasileira

O Telegrama nº 122 do Itamaraty, de 12 de setembro de 1947, enviado pelo chanceler Raul Fernandes, orientava a delegação a votar "acompanhando, em caso de uma decisão concreta da Assembleia sobre o assunto, o voto dos Estados Unidos da América". Em carta ao chanceler, Aranha defendeu a autonomia do país: "a nossa solidariedade não pode ser nunca uma servidão". O Brasil votou a favor da partilha.

6. "Fundador de Israel"?

Aranha é o brasileiro mais associado à criação de Israel, mas o Estado judeu não teve um único criador. A aprovação dependeu da maioria dos Estados-membros, do trabalho de várias delegações e do cenário político internacional. Chamá-lo de "fundador de Israel" é uma homenagem, e não uma descrição exata. O papel dele foi institucional e diplomático, e foi decisivo: presidiu a sessão e proclamou o resultado.

7. Primeiro presidente da ONU?

Aranha não foi o primeiro presidente da ONU. Ele presidiu a Primeira Sessão Especial da Assembleia Geral, em abril de 1947, e depois a Segunda Sessão Ordinária, que votou a partilha. Uma tradição diplomática ligada ao seu papel em 1947 faz com que um representante do Brasil sempre faça o discurso de abertura dos debates gerais da Assembleia Geral. O discurso de Aranha no encerramento da sessão de 29 de novembro de 1947 ficou registrado nos anais da ONU.

8. Homenagens

  • Em Israel (segundo a BBC News Brasil e o jornal O Povo): Praça Oswaldo Aranha, em Jerusalém; rua Oswaldo Aranha, em Tel Aviv; ruas com seu nome em Beer Sheva e Ramat Gan. O museu do Kibutz Bror Chail guarda o martelo que ele usou na sessão e o cartão de contagem de votos que assinou.
  • No Brasil: a Lei Federal nº 13.991, de 17 de abril de 2020, inscreveu Oswaldo Aranha no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, no Panteão da Pátria.
  • A atuação de Aranha é lembrada com gratidão pela comunidade judaica brasileira e pela memória pública israelense.

9. Sionismo e antissemitismo

O sionismo é o movimento que defende a autodeterminação do povo judeu. Quem defende o direito do povo judeu a um Estado próprio, Israel, costuma ser chamado de sionista. A votação de 1947, presidida por Aranha, deu respaldo internacional a essa aspiração. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, segundo a qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

  • 1894: nascimento de Oswaldo Aranha.
  • Fevereiro de 1947: Dutra o nomeia chefe da delegação brasileira na ONU.
  • 28 de abril de 1947: eleito presidente da Primeira Sessão Especial (45 de 55 votos). A sessão cria o UNSCOP.
  • 12 de setembro de 1947: Telegrama nº 122 do Itamaraty, assinado por Raul Fernandes.
  • 16 de setembro de 1947: eleito presidente da Segunda Sessão Ordinária (29 votos na rodada decisiva).
  • 26 de novembro de 1947: Aranha encerra os trabalhos do dia antes do feriado de Ação de Graças.
  • 29 de novembro de 1947, 16h: votação da Resolução 181 na 128ª reunião plenária, com 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções.
  • 14 de maio de 1948: proclamação da independência de Israel.
  • 1960: morte de Oswaldo Aranha.
  • 17 de abril de 2020: a Lei Federal nº 13.991 inscreve Aranha no Panteão da Pátria.

5 perguntas para discussão

  1. Por que é importante distinguir a aprovação da Resolução 181 (uma recomendação) da proclamação de Israel em 14 de maio de 1948?
  2. Como um presidente de sessão pode influenciar um resultado usando apenas o regimento? Discuta o episódio de 26 de novembro de 1947.
  3. O que a frase "a nossa solidariedade não pode ser nunca uma servidão" revela sobre a visão de Aranha da política externa brasileira?
  4. Por que chamar Aranha de "fundador de Israel" é uma homenagem, e não uma descrição exata? Isso diminui ou valoriza o papel dele?
  5. Que relação existe entre a votação de 1947, o sionismo e a definição de antissemitismo da IHRA?

Glossário

  • Assembleia Geral da ONU: órgão em que todos os Estados-membros votam. Aranha presidiu duas sessões em 1947.
  • Mandato Britânico: administração britânica do território. O anúncio de que a Grã-Bretanha abriria mão dele levou à sessão especial de abril de 1947.
  • UNSCOP: comitê especial da ONU criado em 1947 para investigar a situação e propor uma solução.
  • Plano da Maioria: proposta do UNSCOP de dois Estados independentes, um judeu e um árabe, com regime especial para Jerusalém.
  • Corpus Separatum: regime internacional especial previsto para Jerusalém.
  • Resolução 181 (II): recomendação da partilha aprovada em 29 de novembro de 1947.
  • Maioria de dois terços: maioria exigida para aprovar a partilha.
  • Itamaraty: Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
  • Kibutz Bror Chail: comunidade em Israel cujo museu guarda o martelo e o cartão de votação de Aranha.
  • Panteão da Pátria: espaço que abriga o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
  • Sionismo: movimento que defende a autodeterminação do povo judeu.
  • IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, cuja definição de antissemitismo a JJO adota.

Conclusão

Oswaldo Aranha não criou Israel sozinho, mas conduziu a sessão decisiva que aprovou a Resolução 181, base diplomática internacional para a independência do Estado judeu, proclamada em 14 de maio de 1948. Seu papel institucional foi real e decisivo, e por isso é lembrado com gratidão em Israel e no Brasil. A aspiração do povo judeu à autodeterminação, respaldada pela votação de 1947, é legítima. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Em que data a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181?

A Resolução 181 foi aprovada em 29 de novembro de 1947, na 128ª reunião plenária, presidida por Oswaldo Aranha.

2. Qual foi o placar da votação da Resolução 181?

Foram 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, além de 1 ausência.

3. Qual afirmação sobre a Resolução 181 é correta?

A resolução era uma recomendação que deu respaldo internacional ao Estado judeu. A independência de Israel foi proclamada em 14 de maio de 1948.

4. Que comitê foi criado na sessão especial de abril de 1947, presidida por Aranha?

O UNSCOP foi o comitê especial da ONU encarregado de investigar a situação e propor uma solução.

5. O que previa o regime chamado Corpus Separatum?

O Plano da Maioria do UNSCOP previa dois Estados independentes e um regime internacional especial para Jerusalém, o Corpus Separatum.

6. O que Aranha fez no fim da tarde de 26 de novembro de 1947?

Usando suas atribuições de presidente, ele encerrou os trabalhos do dia. O intervalo permitiu articulações com delegações indecisas.

7. Segundo o registro oficial da ONU (UNISPAL), quem sugeriu suspender a votação por 24 horas?

O registro oficial da ONU informa que o representante da França sugeriu suspender a votação por 24 horas para permitir negociações.

8. Que frase Aranha escreveu ao chanceler para defender a autonomia do Brasil?

O Telegrama nº 122 orientava a delegação a acompanhar o voto dos EUA. Em carta ao chanceler, Aranha respondeu que "a nossa solidariedade não pode ser nunca uma servidão".

9. Onde estão preservados o martelo e o cartão de contagem de votos de Aranha?

O martelo usado na sessão e o cartão assinado por Aranha estão no museu do Kibutz Bror Chail, em Israel.

10. Que lei inscreveu Oswaldo Aranha no Panteão da Pátria?

A Lei Federal nº 13.991, de 17 de abril de 2020, inscreveu Aranha no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

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