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As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e Sucot

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre as festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e Sucot, para igrejas, catequistas e grupos de jovens.

Para: igrejas, catequistas e grupos de jovensPodcast: 11 minSlides: 16
Foto: Prato do seder e matsá de Pessach. דרור אבי · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,0 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, você está ouvindo o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!

Lia: Hoje vamos falar com igrejas, catequistas e grupos de jovens sobre três festas bíblicas: Pessach, Shavuot e Sucot.

Davi: São festas que muita gente conhece de nome, por causa da Páscoa e de Pentecostes, mas sabe pouco sobre elas.

Lia: Exatamente. E começo com uma ideia que vai nos acompanhar o episódio inteiro: essas festas ajudam os cristãos a entender a Santa Ceia e Pentecostes, mas continuam sendo festas judaicas, com sentido próprio.

Davi: Antes de entrar nas festas, por que esse tema importa tanto para quem está na igreja?

Lia: Porque Jesus e os primeiros discípulos viveram essas festas como judeus. Jesus nasceu, viveu, ensinou e morreu como judeu do século I.

Davi: E as comunidades judaicas celebram essas festas até hoje.

Lia: Isso. Então não estamos falando de um passado distante. Estamos falando de uma fé viva, e um dos objetivos é evitar a ideia de que o judaísmo é só um "antecedente" do cristianismo.

Davi: Gosto de uma imagem que o apóstolo Paulo usa em Romanos 11. Ele compara os gentios, os não judeus, a ramos enxertados na oliveira de Israel.

Lia: E diz uma frase forte: "não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti". Está em Romanos, capítulo 11, versículo 18.

Davi: Vamos então à primeira festa. Lia, o que é Pessach?

Lia: Pessach, chamado também de Páscoa judaica, recorda a libertação dos israelitas da escravidão no Egito. É o nome hebraico da festa, e a palavra portuguesa "páscoa" vem dele.

Davi: Então, quando um cristão diz "páscoa", está usando uma palavra que nasceu de Pessach.

Lia: Isso mesmo. A base de Pessach está no livro do Êxodo, na narrativa da saída do Egito. Segundo essa narrativa, quem viveu a primeira Páscoa foi o povo de Israel, no momento em que deixou a escravidão.

Davi: E quando cai essa festa?

Lia: No mês hebraico de Nissan, em geral entre março e abril.

Davi: E quanto tempo ela dura?

Lia: Sete dias em Israel e, tradicionalmente, oito dias na diáspora, ou seja, fora de Israel.

Davi: E como as famílias judaicas celebram Pessach hoje?

Lia: O início é marcado pelo sêder, uma refeição ritual guiada pela leitura da Hagadá. A Hagadá reúne perguntas, narrativas, bênçãos e alimentos simbólicos.

Davi: Tem também as taças de vinho, não é?

Lia: Isso. As famílias bebem quatro taças de vinho ou de suco de uva. Come-se matzá, o pão sem fermento, e evita-se o chametz, que é o alimento fermentado feito de cereais.

Davi: E tem um detalhe bonito: a história é contada às crianças.

Lia: Para que a memória passe de geração em geração. Agora, um cuidado importante: o sêder que conhecemos hoje tem uma forma rabínica posterior.

Davi: Então não dá para imaginar que a ceia de Jesus foi exatamente igual a um sêder de hoje.

Lia: Exato. Não se pode projetar o sêder atual, sem alterações, para a época de Jesus. E as práticas também variam entre tradições asquenazitas, sefarditas, mizrahim, liberais e ortodoxas.

Davi: Ou seja, não existe uma única forma de celebrar Pessach.

Lia: Isso mesmo.

Davi: Aí vem a pergunta que todo catequista recebe: qual é a relação entre a Páscoa e a Santa Ceia?

Lia: A Santa Ceia nasceu no contexto de Pessach. Os Evangelhos narram a paixão e a morte de Jesus durante essa festa judaica. Mesmo assim, a Páscoa cristã e Pessach não são a mesma celebração.

Davi: E aqui vale a dica de separar três níveis: fato, fé e debate.

Lia: Vamos lá. O fato: os Evangelhos situam a paixão e a morte de Jesus no tempo de Pessach.

Davi: E a fé cristã?

Lia: Muitos cristãos veem na última ceia, no pão e no vinho, os fundamentos da Eucaristia ou da Ceia do Senhor. Também veem Jesus como cumprimento simbólico do cordeiro pascal.

Davi: E o que ainda está em debate?

Lia: Os estudiosos divergem sobre se a última ceia foi um sêder de Pessach completo. E os Evangelhos apresentam diferenças de cronologia.

Davi: Que diferenças?

Lia: Mateus, Marcos e Lucas, os chamados Sinópticos, falam de uma refeição pascal. Já o Evangelho de João liga a morte de Jesus à preparação da Páscoa.

Davi: Então qual é a forma mais precisa de dizer?

Lia: A Páscoa cristã nasceu em estreita relação com a memória de Pessach e com a morte e ressurreição de Jesus. Pessach, porém, segue sendo a festa judaica da liberdade.

Davi: Vamos para a segunda festa. O que é Shavuot?

Lia: Shavuot significa "semanas", e acontece sete semanas depois de Pessach.

Davi: E o que ela celebra?

Lia: Na Bíblia, Shavuot é uma festa agrícola, ligada à colheita do trigo e às primícias. Na tradição judaica posterior, passou a celebrar também a entrega da Torá no Sinai.

Davi: Por isso ela tem um nome especial, não é?

Lia: Zman Matan Toratenu, que quer dizer "tempo da entrega de nossa Torá".

Davi: E quanto tempo dura?

Lia: Um dia em Israel e, tradicionalmente, dois dias na diáspora. Costuma cair em maio ou junho.

Davi: Como as comunidades judaicas celebram Shavuot?

Lia: Muitas fazem um estudo noturno da Torá, chamado Tikun Leil Shavuot. Também leem o livro de Rute.

Davi: E tem comida típica?

Lia: Refeições com laticínios, conforme os costumes de cada lugar. E há flores e vegetação na decoração, além de oração e leitura na sinagoga.

Davi: E onde entra Pentecostes?

Lia: Pentecostes é o nome grego ligado ao período de cinquenta dias depois da Páscoa. No cristianismo, recorda a descida do Espírito Santo, narrada em Atos dos Apóstolos, capítulo 2.

Davi: E isso acontece durante uma festa judaica.

Lia: Isso. Atos 2 situa a descida do Espírito Santo durante uma festa judaica de peregrinação, tradicionalmente identificada com Shavuot. Para a Igreja, esse momento marca o início público da missão dos apóstolos.

Davi: Então dá para dizer que Shavuot "virou" Pentecostes?

Lia: Não, e esse é um ponto importante. O mais preciso é falar em releitura cristã de um período festivo judaico. Shavuot continua celebrando a colheita, a aliança e a Torá.

Davi: Agora a terceira: Sucot, a Festa das Cabanas.

Lia: Sucot dura sete dias e é seguida por Shemini Atzeret. Recorda as moradias provisórias dos israelitas no deserto e também tem origem agrícola, ligada à colheita.

Davi: Quando cai?

Lia: Em setembro ou outubro.

Davi: Li que o Museu Judaico de São Paulo descreve Sucot de um jeito bonito.

Lia: Como uma celebração da hospitalidade e das diferenças. O museu liga a festa à memória do nomadismo e da travessia da escravidão para a liberdade.

Davi: E como se celebra Sucot?

Lia: Constrói-se uma sucá, uma cabana temporária coberta com materiais vegetais, de modo que se possa ver o céu. As famílias moram ou fazem as refeições nela, na medida do possível.

Davi: E as quatro espécies?

Lia: O arba minim: lulav, etrog, aravot e hadassim. E há refeições, orações, decoração e acolhimento de convidados.

Davi: E o que Sucot diz aos cristãos?

Lia: A ligação é menos direta do que nos casos da Páscoa e de Pentecostes. O Evangelho de João situa episódios da vida de Jesus no contexto de festas judaicas.

Davi: E alguns intérpretes cristãos fazem conexões com Sucot.

Lia: Sim, com imagens como "tabernáculo", peregrinação, água e luz, e com a ideia da "habitação" divina. Mas essas conexões são interpretações teológicas. Elas não fazem de Sucot uma festa cristã.

Davi: Lia, e se um grupo de igreja quiser estudar essas festas? Como fazer isso com respeito?

Lia: Estude as festas como estudo bíblico ou refeição pedagógica cristã, nunca como se fossem a celebração judaica.

Davi: Dá alguns cuidados práticos.

Lia: Primeiro: não chame um encontro da igreja de "sêder judaico" se ele não for conduzido por judeus.

Davi: Segundo?

Lia: Não use a Hagadá, bênçãos, objetos ou alimentos rituais como decoração temática sem explicar a origem e o significado de cada um.

Davi: E não tratar matzá, menorá, mezuzá, lulav, etrog ou sucá como símbolos genéricos de "espiritualidade".

Lia: Isso. Também evite fantasias de "hebreus", encenações estereotipadas ou falas que reduzam o judaísmo ao passado bíblico.

Davi: E tem a questão das palavras.

Lia: Não diga que os cristãos "substituíram" ou "aperfeiçoaram" o judaísmo. Essa ideia se chama supersessionismo, e foi usada ao longo da história para deslegitimar o judaísmo.

Davi: E Paulo, em Romanos 11, já adverte os gentios contra esse orgulho.

Lia: Exatamente: ramo enxertado não despreza a raiz. Outra dica é convidar pessoas e instituições judaicas qualificadas para conversar com o grupo.

Davi: E lembrar que aprender sobre uma festa é diferente de reivindicar o direito de celebrá-la.

Lia: A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião, e adota a definição de antissemitismo da IHRA. O respeito entre cristãos e judeus começa por reconhecer o judaísmo como fé viva.

Davi: E para quem quer saber as datas exatas de cada ano?

Lia: As datas mudam todo ano no calendário civil, porque seguem o calendário hebraico. Consulte uma comunidade judaica local ou instituições como o Museu Judaico de São Paulo, que divulga programações especiais para as festas.

Davi: Vamos às três ideias-chave do episódio?

Lia: Primeira: Pessach recorda a libertação do Egito. A Santa Ceia nasceu nesse contexto, mas não é a mesma celebração.

Davi: Segunda: Shavuot vem sete semanas depois e celebra a colheita e a Torá. Pentecostes é uma releitura cristã desse período, e Sucot lembra a vida provisória no deserto e celebra a hospitalidade.

Lia: Terceira: separe fato, fé e debate. E lembre que as três festas continuam sendo judaicas e vivas. Estude-as com respeito, sem encenar o rito como se fosse seu.

Davi: Antes de ser nossa, essa herança foi e continua sendo de Israel.

Lia: Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Davi: Até o próximo episódio!

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

Slide 1 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 2 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 3 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 4 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 5 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 6 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 7 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 8 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 9 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 10 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 11 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 12 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 13 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 14 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 15 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e SucotSlide 16 de 16: As festas bíblicas para cristãos: Pessach, Shavuot e Sucot

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Guia de estudo

Pessach, Shavuot e Sucot são festas do calendário bíblico judaico que as comunidades judaicas celebram até hoje. Jesus e os primeiros discípulos viveram essas festas como judeus. Para cristãos, elas ajudam a entender a Santa Ceia e Pentecostes. Mesmo assim, continuam sendo festas judaicas, vivas e com sentido próprio.

Objetivos do encontro

Ao final, o grupo deve conseguir:

  • explicar em poucas palavras o que são Pessach, Shavuot e Sucot;
  • entender por que a Santa Ceia e Pentecostes aparecem no contexto dessas festas;
  • distinguir o que é fato histórico, o que é interpretação cristã e o que ainda é debatido;
  • evitar a ideia de que o judaísmo é só um "antecedente" do cristianismo;
  • aprender a respeitar essas festas como parte viva da fé judaica de hoje.

Textos bíblicos para leitura

  • Êxodo: a narrativa da saída dos israelitas do Egito, base de Pessach.
  • Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas): apresentam a última ceia como refeição pascal ou a situam no contexto da Páscoa.
  • Evangelho de João: organiza os acontecimentos de outro modo e liga a morte de Jesus ao período da preparação da Páscoa. Também situa episódios da vida de Jesus no contexto das festas judaicas.
  • Rute: livro lido por muitas comunidades judaicas em Shavuot.
  • Atos dos Apóstolos, capítulo 2: a descida do Espírito Santo em Pentecostes.

Conceitos-chave

1. Pessach, a festa da liberdade

  • Recorda a libertação dos israelitas da escravidão no Egito. Na narrativa bíblica, quem viveu a primeira Páscoa foi o povo de Israel, na saída do Egito.
  • Pessach é o nome hebraico da festa. A palavra portuguesa "páscoa" vem dele.
  • A festa cai no mês hebraico de Nissan, em geral entre março e abril.
  • Dura sete dias em Israel e, tradicionalmente, oito dias na diáspora.
  • Como se celebra hoje:
  • o início é marcado pelo sêder, uma refeição ritual guiada pela leitura da Hagadá;
  • a Hagadá reúne perguntas, narrativas, bênçãos e alimentos simbólicos;
  • as famílias bebem quatro taças de vinho ou de suco de uva;
  • come-se matzá, o pão sem fermento, e evita-se o chametz, alimento fermentado feito de cereais;
  • a história é contada às crianças, para que a memória passe de geração em geração.
  • Cuidado: o sêder que conhecemos hoje tem forma rabínica posterior. Por isso não se pode projetá-lo, sem alterações, para a época de Jesus. As práticas também variam entre tradições asquenazitas, sefarditas, mizrahim, liberais e ortodoxas. Não existe uma única forma de celebrar Pessach.

2. Pessach e a Santa Ceia: fato, fé e debate

Nível O que se pode dizer
Fato Os Evangelhos situam a paixão e a morte de Jesus no tempo de Pessach.
Fé cristã Muitos cristãos veem na última ceia, no pão e no vinho os fundamentos da Eucaristia ou da Ceia do Senhor. Também veem Jesus como cumprimento simbólico do cordeiro pascal.
Debate acadêmico Os estudiosos divergem sobre se a última ceia foi um sêder completo. Os Sinópticos falam de uma refeição pascal, enquanto João liga a morte de Jesus à preparação da Páscoa.

A forma mais precisa de dizer é esta: a Páscoa cristã nasceu em estreita relação com a memória de Pessach e com a morte e ressurreição de Jesus. Pessach, porém, segue sendo a festa judaica da liberdade. A Páscoa cristã e Pessach não são a mesma celebração.

3. Shavuot e Pentecostes

  • Shavuot significa "semanas". A festa acontece sete semanas depois de Pessach.
  • Na Bíblia, é uma festa agrícola, ligada à colheita do trigo e às primícias.
  • Na tradição judaica posterior, passou a celebrar também a entrega da Torá no Sinai. Por isso é chamada de Zman Matan Toratenu, "tempo da entrega de nossa Torá".
  • Dura um dia em Israel e, tradicionalmente, dois na diáspora.
  • Muitas comunidades celebram com estudo noturno da Torá (Tikun Leil Shavuot), leitura do livro de Rute, refeições com laticínios conforme os costumes de cada lugar, flores e vegetação na decoração, e oração e leitura na sinagoga.
  • Pentecostes é o nome grego ligado ao período de cinquenta dias depois da Páscoa. Atos 2 situa a descida do Espírito Santo durante uma festa judaica de peregrinação, tradicionalmente identificada com Shavuot. Para a Igreja, esse momento marca o início público da missão dos apóstolos.
  • Não é correto dizer que Shavuot "virou" Pentecostes. O mais preciso é falar em releitura cristã de um período festivo judaico. Shavuot continua celebrando a colheita, a aliança e a Torá.

4. Sucot, a Festa das Cabanas

  • Dura sete dias e é seguida por Shemini Atzeret.
  • Recorda as moradias provisórias dos israelitas no deserto. Tem também origem agrícola, ligada à colheita.
  • O Museu Judaico de São Paulo descreve Sucot como uma celebração da hospitalidade e das diferenças. O museu liga a festa à memória do nomadismo e da travessia da escravidão para a liberdade.
  • Como se celebra:
  • constrói-se uma sucá, cabana temporária coberta com materiais vegetais, de modo que se possa ver o céu;
  • as famílias moram ou fazem as refeições nela, na medida do possível;
  • usam-se as quatro espécies, o arba minim: lulav, etrog, aravot e hadassim;
  • há refeições, orações, decoração e acolhimento de convidados.
  • E os cristãos? A ligação é menos direta do que nos casos da Páscoa e de Pentecostes. Alguns intérpretes cristãos relacionam a Sucot imagens como "tabernáculo", peregrinação, água e luz, e também a ideia da "habitação" divina. Essas conexões são interpretações teológicas. Elas não fazem de Sucot uma festa cristã.

5. Estudar sem se apropriar

Estude as festas como estudo bíblico ou refeição pedagógica cristã, nunca como se fossem a celebração judaica.

  • Não chame um encontro da igreja de "sêder judaico" se ele não for conduzido por judeus.
  • Não use a Hagadá, bênçãos, objetos ou alimentos rituais como decoração temática sem explicar a origem e o significado de cada um.
  • Não trate matzá, menorá, mezuzá, lulav, etrog ou sucá como símbolos genéricos de "espiritualidade".
  • Não diga que os cristãos "substituíram" ou "aperfeiçoaram" o judaísmo. Essa ideia, o supersessionismo, foi usada ao longo da história para deslegitimar o judaísmo. Em Romanos 11, Paulo adverte os gentios: "não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti" (Rm 11:18).
  • Evite fantasias de "hebreus", encenações estereotipadas ou falas que reduzam o judaísmo ao passado bíblico.
  • Convide pessoas e instituições judaicas qualificadas para conversar com o grupo.
  • Lembre ao grupo que aprender sobre uma festa é diferente de reivindicar o direito de celebrá-la.

Linha do tempo do ano festivo

As datas mudam todo ano no calendário civil, porque seguem o calendário hebraico.

  1. Pessach: mês de Nissan, em geral entre março e abril. Dura 7 dias em Israel e 8 na diáspora.
  2. Sete semanas depois, Shavuot: em maio ou junho. Dura 1 dia em Israel e 2 na diáspora. No mesmo período festivo, Atos 2 situa Pentecostes.
  3. Sucot: em setembro ou outubro. Dura 7 dias e é seguida por Shemini Atzeret.

Para as datas exatas de cada ano, consulte uma comunidade judaica local ou instituições como o Museu Judaico de São Paulo, que divulga programações especiais para as festas.

Resumo para o grupo

Festa O que recorda (fato) Leitura cristã (interpretação) O que se debate
Pessach A saída do Egito e a libertação Páscoa cristã relida à luz da Páscoa judaica Se a última ceia foi um sêder completo
Última ceia Narrada no contexto de Pessach Origem da Eucaristia e Jesus como cordeiro pascal Diferenças de cronologia entre os Evangelhos
Shavuot Colheita e, na tradição judaica, entrega da Torá Pentecostes como releitura cristã do período de Shavuot Como e quando judeus e cristãos se separaram
Sucot Cabanas, peregrinação e colheita Símbolo da habitação divina e da peregrinação cristã Se as conexões são históricas ou só teológicas

5 perguntas para discussão

  1. O que muda na minha leitura da Santa Ceia quando lembro que Jesus viveu Pessach como judeu?
  2. Shavuot une colheita e Palavra. Pelo que eu sou grato nesta "estação" da minha vida?
  3. A sucá é frágil e aberta para o céu. Onde eu me apoio em seguranças que não duram?
  4. Sucot celebra a hospitalidade. Quem eu posso acolher à minha mesa nesta semana?
  5. Como posso falar do judaísmo com respeito, sem dizer que ele foi "superado"?

Glossário curto

  • Pessach: festa judaica que recorda a libertação da escravidão no Egito. É a origem da palavra "páscoa".
  • Nissan: mês hebraico em que cai Pessach.
  • Sêder: refeição ritual que abre Pessach, guiada pela Hagadá.
  • Hagadá: texto lido no sêder, com perguntas, narrativas, bênçãos e alimentos simbólicos.
  • Matzá: pão sem fermento comido em Pessach.
  • Chametz: alimento fermentado feito de cereais, evitado em Pessach.
  • Shavuot: "semanas". Festa sete semanas depois de Pessach, ligada à colheita do trigo e à entrega da Torá.
  • Zman Matan Toratenu: "tempo da entrega de nossa Torá", outro nome de Shavuot.
  • Tikun Leil Shavuot: estudo noturno da Torá em Shavuot.
  • Pentecostes: nome grego ligado aos cinquenta dias depois da Páscoa. No cristianismo, recorda a descida do Espírito Santo (Atos 2).
  • Sucot: Festa das Cabanas, que recorda as moradias provisórias no deserto.
  • Sucá: cabana temporária coberta com materiais vegetais, de modo que se possa ver o céu.
  • Arba minim: as quatro espécies usadas em Sucot (lulav, etrog, aravot e hadassim).
  • Shemini Atzeret: celebração que vem logo depois dos sete dias de Sucot.
  • Supersessionismo: ideia de que os cristãos "substituíram" ou "aperfeiçoaram" o judaísmo, usada ao longo da história para deslegitimar o judaísmo.

Reflexão final (pode ser lida em voz alta)

Senhor, Deus de Israel e Pai de Jesus, nós te agradecemos pela memória da libertação, pelo dom da Palavra e pela lembrança de que somos peregrinos. Obrigado pelo povo judeu, que guardou e ainda guarda essas festas com fidelidade. Ensina-nos a escutar antes de falar, a aprender sem tomar o que não é nosso e a acolher o próximo como em uma cabana aberta para o céu. Que nossa fé nos faça construtores de respeito e de paz. Amém.

Católicos e evangélicos podem adaptar o texto ao jeito de rezar de cada comunidade.

Para levar

  • Pessach recorda a libertação do Egito. A Santa Ceia nasceu nesse contexto, mas não é a mesma celebração.
  • Shavuot vem sete semanas depois e celebra colheita e Torá. Pentecostes, em Atos 2, acontece nesse período.
  • Sucot lembra a vida provisória no deserto e celebra a hospitalidade.
  • Separe fato, fé e debate. Isso torna o estudo mais honesto.
  • As três festas continuam sendo judaicas e vivas. Estude-as com respeito, sem encenar o rito como se fosse seu.

A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião e adota a definição de antissemitismo da IHRA. O respeito entre cristãos e judeus começa por reconhecer o judaísmo como fé viva, e não como um passado "superado".

Quiz: teste o que aprendeu

1. O que Pessach recorda?

Pessach recorda a saída do Egito e a libertação da escravidão. A narrativa está no livro do Êxodo.

2. Quanto tempo dura Pessach?

Pessach cai no mês hebraico de Nissan. Dura sete dias em Israel e, tradicionalmente, oito dias na diáspora.

3. O que significa a palavra Shavuot?

Shavuot significa "semanas". A festa acontece sete semanas depois de Pessach.

4. Por que Shavuot também é chamada de Zman Matan Toratenu?

Na Bíblia, Shavuot é uma festa agrícola. Na tradição judaica posterior, passou a celebrar também a entrega da Torá no Sinai.

5. Que livro bíblico muitas comunidades judaicas leem em Shavuot?

Muitas comunidades leem o livro de Rute em Shavuot. Também fazem estudo noturno da Torá (Tikun Leil Shavuot) e refeições com laticínios.

6. O que Atos 2 narra?

Atos 2 situa a descida do Espírito Santo durante uma festa judaica de peregrinação, tradicionalmente identificada com Shavuot.

7. Qual destas afirmações pertence ao nível do debate acadêmico, e não ao do fato?

É fato que os Evangelhos situam a paixão no tempo de Pessach. Os estudiosos divergem sobre se a última ceia foi um sêder completo.

8. Como é feita a sucá, a cabana de Sucot?

A sucá é temporária e aberta para o céu. As famílias moram ou fazem as refeições nela, na medida do possível.

9. O que é o supersessionismo?

Essa ideia foi usada ao longo da história para deslegitimar o judaísmo. O estudo pede que ela seja evitada.

10. Qual é a forma mais precisa de descrever a relação entre Shavuot e Pentecostes?

Não é correto dizer que Shavuot "virou" Pentecostes. Shavuot continua celebrando a colheita, a aliança e a Torá.

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