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500 anos de presença judaica no Brasil

Em resumo

A presença judaica no Brasil começa com os cristãos-novos, judeus convertidos à força em Portugal em 1497, que participaram da colonização desde 1500. No Recife holandês funcionou, a partir de 1636, a Kahal Zur Israel, que a Fundação Joaquim Nabuco reconhece como a primeira sinagoga das Américas. Vieram depois os judeus marroquinos da Amazônia, as colônias agrícolas gaúchas e a imigração urbana do século XX. Hoje a Conib estima cerca de 120 mil judeus no país.

ParaEscolas · Professores · Todos
Idade11 a 14 anos · 15 a 17 anos · Adultos
ExtensãoPôster A2 · 22 marcos
TemaBrasil
FormatoPôster
Situaçãodisponível

Onde chegaram os primeiros judeus no Brasil?

Os primeiros judeus chegaram junto com a própria colonização portuguesa, como cristãos-novos, e foi no Recife que surgiu a primeira comunidade organizada.

Em 1497 a Coroa portuguesa impôs conversões forçadas, e muitos convertidos continuaram praticando o judaísmo em segredo. Alguns vieram para a colônia já no século XVI, principalmente para os engenhos de Pernambuco e da Bahia.

A vida judaica pública só se tornou possível durante o domínio holandês de Pernambuco (1630 a 1654). Nesse período, judeus sefarditas vindos de Amsterdã fundaram a Kahal Kadosh Zur Israel ("Santa Comunidade Rochedo de Israel"), na atual Rua do Bom Jesus. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, ela é reconhecida como a primeira sinagoga institucional conhecida das Américas.

Quando os portugueses retomaram o Recife, em 1654, a comunidade deixou a cidade. Um grupo de 23 judeus chegou a Nova Amsterdã, a futura Nova York, onde formou a primeira comunidade judaica da América do Norte.

Quem eram os cristãos-novos e quais nomes ficaram conhecidos?

Chamavam-se cristãos-novos os judeus convertidos à força ao catolicismo e seus descendentes, e muitos deles foram vigiados e processados pela Inquisição portuguesa.

O Brasil nunca teve um tribunal permanente do Santo Ofício, mas recebeu visitações (a primeira em 1591 a 1595, na Bahia e em Pernambuco), com denúncias, prisões, confisco de bens e envio de acusados a Lisboa.

Alguns nomes ligados a essa história:

  • Diogo Fernandes e Branca Dias, senhores de engenho em Camaragibe (PE).
  • Bento Teixeira, autor de Prosopopeia (1601).
  • Ambrósio Fernandes Brandão, autor de Diálogos das Grandezas do Brasil (1618).
  • Antônio José da Silva, "o Judeu", dramaturgo carioca executado pela Inquisição em Lisboa, em 1739.

Textos da Fundação Joaquim Nabuco apontam a origem cristã-nova de figuras como Gaspar da Gama, Fernão de Noronha, Duarte Coelho e João Ramalho. Os historiadores advertem, porém, que essa identificação nem sempre tem o mesmo grau de comprovação e precisa ser avaliada caso a caso.

Quem são os judeus sefarditas que vieram ao Brasil?

Os sefarditas chegaram ao Brasil em duas grandes ondas: a do Recife holandês, no século XVII, e a dos judeus do Marrocos na Amazônia, no século XIX.

Os do Recife vinham em grande parte da comunidade portuguesa de Amsterdã e trabalhavam no comércio do açúcar. Em 1642 chegou de Amsterdã o rabino Isaac Aboab da Fonseca, para liderar a comunidade, e em 1646 ele escreveu um poema considerado o primeiro texto em hebraico das Américas.

A partir do século XIX, judeus de Tetuão e Tânger migraram para Belém e Manaus. Em 1824 foi fundada em Belém a sinagoga Shaar Hashamaim. Com o ciclo da borracha (1850 a 1910), mais de mil famílias judaico-marroquinas se espalharam pelo rio Amazonas, em Belém, Manaus, Óbidos, Parintins e outras cidades.

No fim do século XIX e ao longo do século XX vieram também judeus asquenazitas, do Leste Europeu, e hoje a comunidade brasileira reúne as duas tradições.

Quantos judeus vivem no Brasil e qual o estado com mais judeus?

Os números variam conforme a fonte. O Censo do IBGE de 2010 registrou cerca de 107 mil judeus, enquanto a Confederação Israelita do Brasil estima cerca de 120 mil. Por qualquer das contas, é a segunda maior comunidade judaica da América Latina, atrás da Argentina.

São Paulo concentra a maior parcela, mas há comunidades relevantes também no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Paraná, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Pará.

A memória dessa trajetória está guardada em instituições como o Museu do Holocausto de Curitiba, inaugurado em 2011, e o Museu Judaico de São Paulo, aberto em 2021 no antigo Templo Beth-El. A Conib publica todo ano um relatório sobre antissemitismo no país.

A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Perguntas frequentes

Qual a história dos judeus no Brasil?
Ela começa com os cristãos-novos portugueses do século XVI, perseguidos pela Inquisição, e tem um marco no Recife holandês, com a Kahal Zur Israel (1636 a 1654). Continua com os judeus marroquinos da Amazônia no século XIX, as colônias agrícolas gaúchas e a imigração urbana do século XX. Na Era Vargas houve restrições à entrada de refugiados, mas também diplomatas brasileiros que salvaram vidas.
Qual a cidade com mais judeus no Brasil?
A maior parcela da comunidade judaica brasileira está em São Paulo. Bairros como o Bom Retiro, onde a sinagoga Kehilat Israel foi fundada em 1912, marcaram a imigração do século XX. Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Belém também têm comunidades organizadas, com sinagogas, escolas e entidades.
Quem são os descendentes de judeus no Brasil?
Há dois tipos principais. De um lado, os descendentes de cristãos-novos coloniais, muitos deles integrados à sociedade católica ao longo dos séculos e, em geral, sem vínculo com a vida comunitária judaica organizada. De outro, as famílias das ondas migratórias dos séculos XIX e XX: sefarditas marroquinos e orientais, asquenazitas do Leste Europeu, refugiados do nazismo e sobreviventes do Holocausto.
Os judeus foram expulsos do Brasil em 1654?
Não exatamente. Em 1654 os portugueses retomaram o Recife dos holandeses, e o general Francisco Barreto de Meneses deu três meses para que os judeus partissem. A medida atingiu a comunidade organizada do Recife: a maioria foi para a Europa ou o Caribe, e 23 chegaram a Nova Amsterdã. Cristãos-novos, porém, continuaram vivendo no Brasil.

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